sexta-feira, 9 de julho de 2010

Para entender a Obra dos Inumamos.


http://riodande-angola.blogspot.com/2010/03/obra-dos-inumanos.html

Zenza do Itombe é uma aldeia do norte angolano.
Foi vítima da saga militar entre o MPLA e a UNITA (então grupos armados em Angola). Naquele trágico acontecimento, em que angolanos se transformaram em tochas humanas, a táctica empregue, foi transportar seres humanos com combustível, prática condenável por legislação internacional, mas que entretanto a corrupção e o clientelismo internacional abafaram. A fuga de informações, propositada ou não, fez o resto. Na sede por violência, a UNITA atacou o comboio sem discernimento e fez deflagrar o fogo que transformou cidadãos em tochas humanas. Esse facto, deu ao MPLA uma arma de propaganda, transformada em permanente marketing político e militar. Palmas para o requinte do mal. Erro de cálculo contudo, uma vez que se os resultados foram satisfatórios para o grupo político dominante em Angola, concorreu também para o ambiente de logro e insatisfação geral dos cidadãos, mantidos permanentemente sob a paz de Pirro, ou, para uma rápida compreensão, a Paz do Medo.

A dominação continua

À ignomínia no Zenza do Itombe, o genocídio do 27 de Maio de 1977, a Sexta-feira sangrenta ou mesmo as manobras dilatórias para o prolongamento do “mandato popular” de 1992, juntam-se outros factos e crimes contra a humanidade, que apenas o clientelismo e a corrupção internacional mantêm abafados. O onanismo da ditadura em curso intensificou o gozo, eliminando as eleições presidenciais previstas para o ano de 2009, prática que confirmou uma vez mais a existência de um país sob Golpe de Estado Constitucional permanente.
O 27 de Maio de 1977 - Crime contra a humanidade, que vitimou cerca de oitenta mil angolanos – visou extirpar de Angola a consciência nacional, a lucidez dos homens da nossa terra, e o apagamento da memória colectiva! Por esse facto, a noção do dever, impeliu-me a criar “A Obra dos Inumanos” e outros poemas a publicar, tendo como objectivo, manter presente a história de Angola, na perspectiva dos oprimidos. – Vox populi, vox dei -.
Sou dos que comungam a ideia de que se um jovem não se adequa ao seu tempo e aos problemas sociais, é uma desgraça causada no mínimo por um adulto incapaz ou por um Estado desgovernado!
A juventude é um estádio físico e mental inevitável, mas a alienação dos jovens, para além de uma falta de consciência governamental, revela-se como um Terrorismo de Estado!

À semelhança da actual juventude alemã, pouco consciente quanto às reais causas e consequências do Hitlerismo, na Eduardolândia – complexo grotesco e imaginário que substitui na prática e no costume a República -, também os jovens e os cidadãos em geral, estão confusos e algo apáticos, vitimados por uma feroz e irresponsável alienação mental e exclusão social, as ferramentas de contenção da vontade perfeitas, criadas pelos nossos opressores, com apoio ou omissão conveniente dos seus clientes internacionais.
“Para compreender a obra dos inumanos” é parte da minha noção de missão e noção de dever

segunda-feira, 29 de março de 2010

Obra dos inumanos

Lá, no Zenza do Itombe

Aonde nunca foram nem o rei nem o conde

Alguém colocou o combustível

Outros atearam o fogo

Ficou mesmo consumível

A artimanha do uso do isco

Alguém jogou a informação

Outros mergulharam nela

Estando o voto em desuso

Transportaram gente com gasolina

Esqueceram-se do arroz e da canela

No Zenza não vale a palavra não vale a vaselina

É tempo do uso da pólvora

Botaram fogo no comboio

Que trazia o combustível

Junto com os seres humanos

Alguém jogou a informação

Outros mergulharam nela

Foi obra dos inumanos

sexta-feira, 5 de março de 2010

Males da ditadura


Sou angolano!
Minha terra não é corrupta, mas está corrompida!
Nasci numa Angola não pobre, hoje empobrecida! 
Esta nação era digna, antes de conspurcada!
A pátria mãe tem caciques, tem opressores e tem falta de liderança!
Angola ruma para o abismo
Ignora que a melhor maneira de dar um passo em frente...
É recuar.  
Enfim, males da ditadura!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Angola, um CAN e duas disputas


Nos estádios construídos à pressa e até mesmo atabalhoadamente, decorre o CAN 2010, enquanto fora deles, outro pleito acontece em confronto menos clássico mas nem por isso menos contundente. Tem árbitro também, ainda que discreto, com direito a mala sem fundo mas com descomunais capacidades de alienação e distribuição de cartões vermelhos. Corrupção para o beija-mão e cartão vermelho à resistência claro está!

Aconteceu muito naturalmente, mesmo até porque se o CAN é novo a disputa tem a idade do país politicamente constituído.

Opõe-se dois contendores sem lista divulgada e, claro está, com estatutos diferentes! Um, que sobrevive com as sobras dos manjares, para o qual estará sempre apontado o cartão vermelho e outro - o surdo e o invisual de conveniência - que faz da infelicidade do outro a sua felicidade. Pare este outro, como é devido, as benesses da mala do árbitro.

E começa o pleito que conhecerá sua rixa mais violenta - e muda também -, a partir do dia 21 de Janeiro de 2010, data da consolidação da última ditadura continental e mundial.


Teve início o invulgar pleito, alinhando-se os competidores segundo necessidades publicitárias e estratégicas.


Para a publicidade, o acesso aos estádios é feito de forma a fazer a acreditar que eles não estão rodeados de miséria e imundície, ao estilo "para inglês ver", mesmo sabendo-se que há coisas que nem inglês aceita enxergar. O monopólio é visível, já que aqueles que denunciaram os lacaios do imperialismo se transformaram na trincheira firme da Pilhagem Mundial. Transportes favorecidos, fabricação e distribuição exclusiva de bilhetes, venda de águas, sumos e outros produtos derivados ou fabricados com gengibre ou cola, enfim, um campeonato "do partido", organizado e apadrinhado pela rede continental de atormentadores dos povos de África. Dos atabalhoados, desde as estradas que há trinta e quatro anos aguardam por intervenção séria, à iluminação pública e doméstica desleixados, formam um plantel, enquanto os pequenos condomínios com a marca da discriminação formam o outro.


Os estrategas da pátria optaram por organizar o seu quotidiano sem algazarra, deixando que desporto e evento prosseguissem seus objectivos de alienação sem lhes toldar a mente.

Ao toque do árbitro, situacionistas ferrenhos e apoiantes de esterco flamejam as bandeiras julgadas unificadoras e suas trombetas! Opositores declarados e resistentes anónimos, aguardam calma e serenamente pelo esfumar da glória efémera dos seus opressores. Que pleito admirável!

Bandeira à vermelho e preto? Usa tu! O “jogo”sujo? É vosso! A miséria? É nossa! Os discriminados? Somos nós! Não conseguiram um Filipão para a mobilização geral? Os nossos problemas são conhecidos! Gritem, gesticulem, disfarcem, corrompam, finjam unidade, mas o jogo real está aí, sem plateia direccionada e à vista de qualquer um, mesmo aos invisuais de consciência!

O resultado já foi encontrado! A consciência nacional vetou a prática do uso do desporto como forma pérfida de moldagem do raciocínio.

Vetou a criação de um Clube de Amigos fundado na insensatez; desagradou-se ante a transformação dos mesmos em assembleia constituinte; rejeitou a humilhação de ver uma constituição e seu conteúdo serem pisados e lançados ao espólio, por conveniência de alguns; angustiou-se porque a seriedade não mora entre nós e o que se pretendia um país sério, será doravante um acabada propriedade horizontal!

A ignomínia de presentear o povo angolano com um evento desportivo enquanto se planifica o cerceamento das suas aspirações e liberdade, não vingou! Cegou alguns mas não vingou. Pior do que isso, distinguiu as lideranças africanas com a Taça da Amargura.